No dia 5 de maio, o Hospital Evangélico Goiano (HEG) realizou sua primeira captação de órgãos, um marco histórico que consolida o compromisso da instituição com a vida, a ética e a humanização no atendimento. O procedimento representa não apenas um avanço técnico, mas também um gesto profundo de solidariedade, protagonizado por uma família que, mesmo diante da dor, disse “sim” à doação.
O processo teve início após a abertura do protocolo de morte encefálica (ME), conduzido com rigor técnico e segurança. A confirmação da morte encefálica é feita a partir de avaliações clínicas e exames específicos realizados por médicos habilitados, seguindo critérios rigorosos que atestam a ausência irreversível das funções cerebrais. Após essa etapa, a família é abordada de forma sensível e respeitosa para decidir sobre a doação.
No caso do HEG, a autorização familiar possibilitou a captação de córneas, o que poderá devolver a visão a pacientes que aguardam na fila por transplante. Mais do que um procedimento médico, a doação simboliza a continuidade da vida e a transformação de histórias por meio da empatia.
Toda a ação foi coordenada pela e-DOT (Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes) do hospital, em parceria com a Central de Transplantes de Anápolis. O trabalho integrado envolveu a avaliação clínica do paciente, a realização de exames, a triagem de elegibilidade e o acolhimento dos familiares durante todo o processo.
A e-DOT do HEG foi criada há cerca de um ano, inicialmente como CIDOT, com o objetivo de estruturar e consolidar o processo de doação de órgãos dentro da instituição. Desde então, a equipe vem se preparando para esse momento. Estiveram envolvidos na captação o presidente da e-DOT, Dr. Vitor Gonçalves Rosa Teixeira, o coordenador da equipe, enfermeiro Guilherme Oliveira da Costa Silva, além da gestão assistencial, equipe médica, enfermagem, psicologia e assistência social da UTI 2, onde o paciente estava internado. A diretoria do hospital e a Organização de Procura de Órgãos (OPPO) também participaram ativamente da ação.
De acordo com o Dr. Vitor Gonçalves Rosa Teixeira, o trabalho da equipe envolve desde a identificação precoce de possíveis doadores até a organização de toda a logística da captação. “A ideia da e-DOT é organizar, coordenar e executar todo o processo de doação, desde a identificação de um potencial doador, ainda nas unidades de terapia intensiva, até a captação e o acolhimento familiar. A gente realiza uma busca ativa nas UTIs para identificar pacientes com possibilidade de evoluir para morte encefálica e, a partir daí, acompanha todo o protocolo para garantir que cada etapa seja cumprida com rigor”, explica.
Para o diretor executivo do HEG, Joseval Brito, a conquista representa um novo patamar para a instituição. “Entramos no grupo de hospitais comprometidos com a causa da doação de órgãos. Esse é o primeiro de muitos momentos que virão. É uma prioridade para nós contribuir com essa causa tão importante”, afirma.
A doação de órgãos pode beneficiar mais de 50 pessoas em um único processo, considerando transplantes de órgãos, córneas e tecidos. No entanto, para que isso aconteça, é fundamental que o desejo de ser doador seja comunicado à família, já que a autorização familiar é indispensável, não sendo necessário qualquer documento formal em vida.
Com essa primeira captação, o HEG fortalece seus processos internos, amplia sua expertise e avança na consolidação de uma cultura de doação de órgãos na instituição. A expectativa é que novos procedimentos sejam realizados, ampliando o impacto positivo na rede de transplantes de Anápolis e de todo o estado de Goiás.
Em meio à dor, a decisão de doar transforma despedidas em esperança, um gesto que salva vidas e perpetua o melhor do ser humano.
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